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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Compositores gastam até R$ 50 mil em disputa de samba-enredo.

Entrevista com um dos compositores da Portela.





Quantas vezes você já passou por algo assim? Aqueles segundos  intermináveis que vão decidir a sua vida? Quem persiste passa por isso.
Mas por quanto tempo vale a pena insistir naquilo que parece impossível? Dois anos? Três anos?
“Quando eu entrei para ala de compositores da Portela eu até brinquei: vou me dar 10 chances. Vou me dar 10 chances. Eu to na 8ª”, conta Celso.
Há oito anos Celso compõe sambas para a Portela. Nenhum deles você viu na avenida. 

“Imagina sendo seu samba? “Então você imagina este trabalho seu na avenida. De tudo o que você percorreu para chegar aquele produto ali. Caraca! Pô, conseguimos. Dá vontade até de chorar”, diz.
A Portela este ano escolheu a região do porto do Rio de Janeiro como tema do Carnaval.
“A sinopse vem dizendo ali. A maré vai subir e tal. Sei que o nosso refrão já começa com isso”, explica.
Mas imagina que difícil ganhar se não longe dali existe um adversário como Noca da Portela:
Você já deve ter ouvido falar de Noca da Portela.
“A primeira vez que eu ganhei um samba em 76. Minhas pernas tremiam tanto que eu digo: vou morrer. Vou morrer. Porque amor de primeira deixa sua perna bamba”, lembra Noca.
É a 13º disputa do Noca. Já emplacou o samba vencedor seis vezes. Ele não entra para perder.
“Eu tenho um sonho. Por isso eu to com 80 anos e ainda estou disputando. E esse sonho pra mim ainda não acabou”, garante Noca.
E Celso ainda vai ter que enfrentar o seu maior algoz. Nos últimos dois anos ele perdeu a disputa para o Toninho.
O professor de filosofia emplacou o samba da Portela dos carnavais de 2012 e 2013. É o atual campeão. Aclamado pela crítica.
“Nós ganhamos o estandarte no primeiro e o segundo foi o único samba com 10 de todos os 4 jurados”.
Ele tem tudo para ganhar. Agora entendeu por que eu pergunto ‘quanto tempo vale investir num sonho’?
E quando eu digo investir eu estou falando de dinheiro, mesmo!
Reporter: Este ano quanto você acha que vai gastar?
Celso: Talvez chegue aos R$ 40 mil.
São R$ 40 mil que esse bombeiro militar planeja gastar na disputa.
Reporter: E sua mulher não reclama?
“Eu de vez em quando reclamo, né? Aí eu tenho que maneirar um pouco porque ela gasta muito no samba. Mas aí eu acabo aceitando porque eu sei que é uma coisa que ele gosta de fazer. E tudo. Eu dou apoio pra ele”, diz a esposa Claudia Lopes.

A gastança começa logo depois que o samba fica pronto.  Porque todo compositor que se preze grava seu samba num estúdio.  Não tem mais essa de gravação caseira.
“Só o estúdio saiu pra R$ 4 mil”, conta Celso.
E depois disso, tem que fazer os CDs pra distribuir. Eles vão ser muito úteis quando começar a disputa na quadra.

Adilson calhou de morar bem do lado da quadra da Portela. Ele instalou um equipamento de som e fica revezando os samba-enredos candidatos.
“Esse é o point dos compositores da Portela. Toda semana é isso ai”, conta o DJ e vigilante Adilson de Ferreira.
E todo compositor quer que seu samba toque no Adilson para o pessoal ir se familiarizando. Na hora marcada para começar a disputa, os ônibus já começam a parar na porta. Eles são fretados pelos compositores para trazer a torcida.
Tudo para impressionar os jurados.  Eles sentaram na bancada pela primeira vez na sexta, dia 9 de agosto, para julgar 35 sambas. Na Portela, os jurados são os próprios diretores da escola. Cada um tem um voto. Eles têm visão privilegiada do palco.  E é lá, no palco, que fica o maior gasto de cada um dos concorrentes.
E são os compositores os responsáveis por fazer o show funcionar. Ou seja: eles têm que contratar todos os músicos. Por semana, para pagar o que chamam de preço de palco, o Celso gasta cerca de R$ 3 mil.
Mas no dia em que não tem disputa, a campanha continua em casa. Tem que pagar o churrasco.
“Dinheiro é difícil de arrumar, mas dá se um jeito. Serve pra ônibus, para cerveja, para ingresso, para o churrasco. Um montão de coisas que envolve o samba enredo”, explica Noca
Reporter: E se perder?
Noca : Se perder ele fica no prejuízo. É um jogo. Você vai apostar. É um jogo de perde ou ganha. Se você perder, você perde o dinheiro. Se você ganhar, você tem o retorno e a gloria.
Este ano o compositor do samba-enredo vencedor da Portela vai levar pra casa cerca de R$ 400 mil.
“Isso é uma fortuna. Você se sente milionário até, brinca Noca
“Se eu ganhar, eu pretendo ir para Belém descansar. Lá para o Mosqueiro que é a terra da minha mãe”, adianta Toninho.
“A casa, que era uma só, virou duas. “Meu irmão reformou metade. Minha irmã reformou outra metade. Eu pretendo construir a minha. Pretendo construir no mesmo lugar uma outra casa”, planeja Celso. 
Todo mundo sonha com o dinheiro. Mas há sempre muito por trás de qualquer disputa milionária.
Por isso surgiu um esquema que no mundo do samba é conhecido como ‘escritório’. Um mesmo grupo de compositores faz sambas para várias escolas diferentes. Mas inscrevem esses sambas nas disputas com o nome de outros autores, que são populares entre as comunidades.
“Por exemplo, compositor x faz para escola dele. E ai ele aproveita esta estrutura e faz pra outras escolas e concorre em 5. Se ela ganhar em 3 e perder em 2 ele já está no lucro”, explica Toninho.
Isso ajuda porque o dinheiro usado na campanha é diluído entre várias candidaturas.
“Os sambas de enredo hoje se parecem porque os autores são os mesmos”, afirma Toninho.
Reporter:  Existe samba de escritório na Portela?
“Acho que não. Eu conheço quem são as pessoas que fazem samba de escritório. Eu sei quem são essas pessoas que utilizam do nome mas foi outra pessoa que fez”, diz o presidente da Portela Sérgio Procópio.
Reporter: A gente pode dizer que em muitas escolas este tipo de samba acontece?
Toninho: Praticamente em todas. Em todas as escolas do grupo especial e nas de acesso também.

Quem não quer fazer parte disso, busca investidores. Davi Correa compôs sozinho um samba-enredo para a Portela. Mas colocou o nome de Luis Matos como parceiro.

“Eu sou mais o investidor. E a parte toda de organização de torcida”, explica o investidor Luis Mattos.

“Nessas parcerias nem todos compõem. Neste caso, eu e Toninho somos compositores. E tem a parceria que é o pessoal que entra com dinheiro, que entra com torcida”, explica o jornalista Luis Carlos.

Davi chegou à semifinal. Os diretores decidiram, a portas fechadas, que ele não iria pra frente.
 
“Parei, parei com samba. Não dá mais. É muita covardia”, lamenta Davi Correa.
Também na salinha, decidiram quem seriam os grandes finalistas: samba de Celso, de Noca da Portela e de Toninho Nascimento.
A noite da final da disputa do samba-enredo da Portela começou com todos os compositores da ala dos compositores reunidos. Menos um que não conseguiu estar presente. O Toninho. Foi pra casa. Superstição.
E o samba do Toninho, representado pelo parceiro Luis Máximo, foi o primeiro a subir no palco.
Noca estava no camarim esperando porque ele vai ser o segundo a se apresentar. Celso, ficou tenso a noite inteira. Ele vem carregando o samba nas costas há seis meses. E tudo vai se resolver nessa apresentação.
“Mas só a satisfação de estar ali concorrendo a um samba pra Portela, paga. Tanto é que eu estou perdendo todo ano aí e estou lá de novo. Lá de novo. Lá de novo. Estou persistindo”, afirma Celso.
No fim da noite os 33 jurados se encaminham para uma sala onde acontece a contagem dos votos.
A decisão é uma das mais importantes da escola, por isso a tensão aumenta dentro e fora da sala.  Foi muito trabalho duro. 
E os jurados escolheram o grande vencedor: “O nosso novo hino é dos compositores
Toninho Nascimento, Luis Carlos Máximo, Waguinho, Edson. Jota Amaral”.

Reporter: Quanto tempo vale a pena insistir?
“Eu me considero um vencedor. Eu sou o pai da obra. Para mim, era o meu.Não vou desistir”, garante Celso.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Notícias do Rock in Rio.









O Rock in Rio é o maior festival de música do mundo. Ao longo de quase 30 anos, se tornou dono de uma história de destaque no cenário musical, com 12 edições realizadas, e mais de 6 milhões de pessoas reunidas e um dos mais contundentes em presença digital.

Nascido no Rio de Janeiro, conquistou não só o Brasil, mas também Portugal e Espanha, sempre com a intenção de levar todos os estilos de música para os mais variados públicos.

Muito mais que um evento musical, se tornou completo e abrangente ao abordar temas como sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. E assumiu o compromisso de conscientizar as pessoas que, com pequenas atitudes no dia a dia, dá pra fazer do mundo um lugar melhor.

Evento reuniu 85 mil pessoas por dia de evento, que será retomado a partir da próxima quinta (19) a domingo (22).

O cantor Justin Timberlake, que também é um ator de sucesso, encerrou o primeiro final de semana de Rock in Rio neste domingo (15) com um show de hits e pouca pirotecnia. Valendo-se de sua postura e carisma, fez com que 85 mil pessoas cantassem "My Love" e "SexyBack" com ele.

Antes de Timberlake, a exuberante voz de Alicia Keys, que está em turnê pela primeira vez ao Brasil, foi a protagonista de um show bonito e que teve a brasileira Maria Gadú  compartilhando vocais tímidos em "Fallin", música do começo da carreira da cantora nova-iorquina.




Já a inglesa Jessie J fez boa apresentação às 20h30 . Cheia de disposição, correu de um lado a outro do palco, falou com os fãs na grade e usou um figurino feito exclusivamente para ela vestir no Rock in Rio, eleito por um concurso cultural.

domingo, 15 de setembro de 2013

Bastidores do Rock in Rio





Rock in Rio 2013 "É a área Vip menos Vip da história"




Falta de famosos de peso no 2º dia de festival decepciona jornalista espanhol
O relógio marca 20h do segundo dia de Rock in Rio 2013. Está dada a permissão para a imprensa entrar na área VIP da Cidade do Rock – uma área de 4.900 metros quadrados com capacidade para 4.000 pessoas. Animado, um jornalista espanhol está à caça de celebridades internacionais. “Estou procurando algum piloto de fórmula 1, jogador de futebol - ou as namoradas deles. Bruna Marquezine serve”, diz, referindo-se por último à atriz namorada de Neymar.
Nenhum deles apareceu no período de uma hora que os jornalistas podem permanecer no espaço, que não tinha nem metade da ocupação neste sábado. Substituto à altura? Também não. Algumas pessoas se aglomeraram em volta de Glória Pires, que foi acompanhar os filhos mais novos, Bento, Ana e Antônia. O colega olha, não reconhece, e dispara: “Esta é a área VIP menos VIP que já fui na vida”.
Naturalmente, ele está acostumado aos eventos de Barcelona, reunindo famosos que fazem jus ao termo. “Não”, rebate ele, “O Rio é uma cidade conhecida no mundo todo, e o Rock in Rio também. Esperava mais”, lamenta. Quando a banda Third Seconds to Mars subiu ao palco, pontualmente às 20h30, uma leva de celebridades saiu sabe-se lá de onde. Ao se deparar com Kadu Moliterno, Juliano Cazarré e Giba, o jornalista espanhol decide deixar a sala de imprensa mais cedo, decepcionado.